segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

[Resenha] The 100: Os Escolhidos - Kass Morgan

Autora: Kass Morgan
Editora: Galera Record
Páginas: 288
Classificação: 4/5 estrelas
Título Original: The 100

Desde a terrível guerra nuclear que assolou a Terra, a humanidade passou a viver em espaçonaves a milhares de quilômetros de seu planeta natal. Mas com uma população em crescimento e recursos se tornando escassos, governantes sabem que devem encontrar uma solução. Cem delinquentes juvenis — considerados gastos inúteis para a sociedade restrita — serão mandados em uma missão extremamente perigosa: recolonizar a Terra. Essa poderá ser a segunda chance da vida deles... ou uma missão suicida.

Resenha:

Ninguém pisa na Terra há séculos - até agora.

Por gostar bastante da série de TV, sempre quis ler The 100, mesmo que muito dos comentários falassem que a série é superior. Após finalizar a leitura, vi que o seriado realmente se sobressai sobre os livros, mas isso não significa que eles são ruins, muito pelo contrário.

Começando pelos personagens, acompanhamos a trama por meio de quatro - Clarke, Bellamy, Glass e Wells. Gosto bastante dos três primeiros, especialmente Glass, que não existe na série e foi uma grata surpresa. A história dela, assim como dos outros, é bastante sofrida, portanto é fácil gostar rapidamente da personagem. Não sei porque não a introduziram na série, principalmente na primeira temporada, onde sua trama se encaixaria perfeitamente. Além de Glass, Clarke honra o posto de protagonista e se mostra uma das personagens que a série foi mais fiel no desenvolvimento; e assim como com Glass, torcemos por ela desde seu primeiro capítulo. No time feminino, temos ainda Octavia que por mais que não tenha nenhum capítulo sob seu ponto de vista, se destaca por meio dos de Bellamy. Mesmo que ela não possua toda a força que a da série, acredito que ainda surpreenderá bastante nos próximos livros.


Já no time masculino, Bellamy também consegue ganhar nossa empatia por sua trágica vida familiar. Aqui, o personagem possui menos dubiedade do que na série, o que foi acerto, pois muita de suas atitudes nos primeiros episódios são exageradas. Luke, assim como Octavia, só aparece em capítulos narrados por Glass, mas conseguiu ganhar minha torcida mesmo assim e torço muito por eles. O único que realmente não consigo simpatizar é Wells, e isso acontece desde a série. Entendo seus sentimentos por Clarke, mas suas decisões e escolhas me irritam profundamente por serem quase sempre egoístas, principalmente a quase perto do fim do livro. Por mais que ele critique as atitudes do pai (que são deploráveis, realmente), ele possui a mesma característica e a deixa transparecer, o que é uma grande hipocrisia.

A trama central também é boa e nos instiga a saber o que os 100 encontrarão na Terra depois de anos inabitada, mas seu desenvolvimento no local não foi bem feito, principalmente pela decisão da autora de focar no triângulo amoroso e deixar o grande plot twist apenas para o final. Entendo que se ela fizesse o que fez antes não teria o mesmo impacto, mas outras coisas poderiam ter acontecido, como mais cenas de animações modificados geneticamente pela radiação - a única que temos é uma parecida com o que os personagens veem no Piloto da série. A falta de acontecimentos exceto o já mencionado triângulo deixou a sensação de que o livro não saía do lugar. Mas em compensação, Kass Morgan acertou ao desenvolver a distopia na Arca. As leis e formas de vidas são as piores possíveis para muitos, e assim como na série, queremos matar os Chanceler o mais rápido possível. E a introdução de flashbacks dos personagens na Arca também é um acerto, pois ficamos curiosos para saber o que eles fizeram para serem presos.

Por fim, apesar de um desenvolvimento inferior ao da série, Os Escolhidos possui características positivas e tem tudo para surpreender nas continuações, principalmente para quem viu a série e sabe o que vem a seguir - mesmo que seja um pouco ou muito diferente aqui. Quero logo ler os próximos e recomendo a história, mas desde que você leia consciente de que é o primeiro livro e a autora prefere apresentar e trabalhar os personagens do que a distopia em si.

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