sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

[Resenha] Gelo Negro - Becca Fitzpatrick

Autora: Becca Fitzpatrick
Editora: Intrínseca
Páginas: 304
Classificação: 4/5 estrelas
Título Original: Black Ice

Britt Pfeiffer passou meses se preparando para uma trilha na Cordilheira Teton, um lugar cheio de mistérios. Antes mesmo de chegar à cabana nas montanhas, ela e a melhor amiga, Korbie, enfrentam uma nevasca avassaladora e são obrigadas a abandonar o carro e procurar ajuda. As duas acabam sendo acolhidas por dois homens atraentes e imaginam que estão em segurança.

Os homens, porém, são criminosos foragidos e as fazem reféns. Para sobreviver, Britt precisará enfrentar o frio e a neve para guiar os sequestradores para fora das montanhas. Durante a arriscada jornada em meio à natureza selvagem, um homem se mostra mais um aliado do que um inimigo, e Britt acaba se deixando envolver. Será que ela pode confiar nele? Sua vida dependerá dessa resposta.

Resenha:

É difícil resistir ao perigo...

Lembro que fiquei bastante animado quando foi anunciado que o novo livro de Becca Fitzpatrick seria um thriller, porque se o suspense foi algo que ela introduziu perfeitamente na série Hush, Hush - um young adult -, imagine em um livro realmente do gênero? Infelizmente, isso não foi totalmente verdade e Gelo Negro foi uma das leituras mais controversas que tive esse ano, pois, mesmo sentindo uma perda de rumo em determinado momento da história, ainda assim gostei do resultado final.

A trama principal começa muito bem e nos deixa temerosos pelo que Britt encontrará na viagem, e as situações iniciais que a personagem passa nas mãos de seus sequestradores são extremamente bem feitas pela autora. É impossível não imaginar que o livro pode ser adaptado em um suspense futuramente, pois ele possui todos os pontos do gênero - até o famigerado prólogo de uma vítima inicial. Entretanto, após metade da história, tudo é transformado em um romance previsível da protagonista, e é possível dizer como será o fim antes mesmo de finalizar o livro. E como o destino do casal, a identidade do assassino também não será mais surpresa a partir do começo dessa mudança. Ainda assim, Becca merece elogios pois, mesmo já tendo quase certeza de quem é o real criminoso, o leitor quer descobrir seus motivos para tal crueldade. E a autora não decepciona quando tudo vem à tona, pois envolve abusos familiares e misoginia - assunto esse muito raro na literatura, se pararmos para pensar -, e até os mínimos detalhes se encaixam. Os motivos para os crimes só conseguem nos deixar com mais nojo pois são inaceitáveis.

Mas o ponto alto do livro é o crescimento da protagonista. No começo, é quase impossível não querer sacudi-la para que ela acorde para a vida pois Britt é a típica garota que depende de todos - principalmente dos homens da sua vida - para realizar suas escolhas. E pior, ela gosta de depender deles! Becca consegue desconstruir todo esse mundo da personagem e transformá-la em uma menina segura de si e independente, e foi muito bom acompanhar esse processo. Britt também possui outro ponto positivo e essencial para essa situação: sua inteligência. Ela consegue manipular seus sequestradores em inúmeras situações, e minha preferida envolve insulinas. Mason também é bem construído pela autora, mas falar qualquer coisa sobre ele pode ser um spoiler, então só digo isso! Os demais personagens cumprem seus respectivos papéis: Calvin é o ex que se acha e que depois de perder Britt, decide reconquistá-la; e Korbie é a melhor amiga, mas que no fundo, possui uma relação de competitividade com Britt. Ela foi, sem dúvidas, a personagem que eu mais detestei na história pois, por mais que Britt insistisse que elas eram amigas acima de tudo, era claro que para Korbie isso não era lá tão verdade.

A ambientação e clima da história também merece elogios, pois a autora consegue nos fazer quase sentir aquele frio desesperador. E a leitura, mesmo com a já citada mudança de thriller para romance, continua envolvente e você quer terminá-la o mais rápido possível e ver a justiça feita. E como isso ocorre no final, talvez foi o que me fez gostar do livro, apesar de tudo. O último ponto negativo na conclusão da trama é que não temos informações sobre o destino de alguns personagens após o acontecido e, por mais que eles tenham irritado na maior parte do tempo, a vontade de saber se eles também tinham aprendido a serem menos arrogantes com todo esse episódio era maior, mas não foi respondida - e provavelmente nunca será, já que a autora não deixa pontas para uma continuação, felizmente.

No geral, gostei de Gelo Negro mas ele não foi nem de longe o thriller que eu esperava. Não é uma história ruim, mas a sensação de que poderia ter sido melhor ainda prevalece no final da leitura. Apesar disso, recomendo caso você goste da escrita da autora, de romances ou de histórias onde a justiça prevalece no final.

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