sábado, 10 de dezembro de 2016

[Resenha] Todo Dia - David Levithan

Autor: David Levithan
Editora: Galera Record
Páginas: 280
Classificação: 4/5 estrelas
Título Original: Every Day

Neste novo romance, David Levithan leva a criatividade a outro patamar. Seu protagonista, A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrarem a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.

Resenha:

Todo dia uma nova vida. Todo dia uma pessoa diferente. Todo dia a paixão pela mesma garota.

Sempre li e ouvi comentários extremamente positivos sobre Todo Dia, o que só fazia minha vontade de lê-lo aumentar cada vez mais, mas o livro sempre estava por um preço um pouco salgado, algo comum com livros da Galera Record. Mas enfim consegui comprá-lo e li o mais rápido que pude.

Começando pelos personagens, é impossível não se identificar e torcer por A e Rhiannon, seja como um casal ou como personagens individuais. Ambos são construídos com características humanas, com erros e acertos, principalmente Rhiannon. Em certos momentos, fiquei com um pouco de raiva pelo preconceito que ela tinha por algumas pessoas que A era em determinado dia, mas é compreensível porque, sem hipocrisia, talvez iríamos agir do mesmo jeito. É algo do ser humano julgar alguém pelo físico, infelizmente. Confesso que no começo, também achei um pouco forçado todo o amor que A dizia sentir por Rhiannon por ter sido tão rápido, mas gostei da interação dos dois - chegamos até a esquecer que A está no corpo de alguém! O drama que ele enfrentaram foi condizente com a história e mesmo que para A possa ser algo que eles precisam enfrentar para ficarem juntos, o lado de Rhiannon também é importante, pois como seria ter que acostumar-se com a mudança física diariamente de alguém que se ama?


Mas na minha opinião, o momento mais doloroso é quando A percebe que ninguém, com exceção de Rhiannon, nunca irá conhecê-lo ou sentir sua falta. É impossível não desmoronar com o personagem nesse momento, a sensação de impotência e injustiça irá se fazer presente. Além disso, por meio do personagem, David Levithan também acerta em expor o amor como ele é: um sentimento, pessoas se apaixonam umas pelas outras independente de gênero. E para fixar esse ponto, o autor insere diversos casais LGBT, e A não se sente desconfortável por beijar meninos ou meninas quando assume o corpo de seus respectivos pares. Por meio do protagonista - que é impossível não se pegar imaginando como ele seria fisicamente, mesmo que não tenhamos nenhuma referência -, ainda conhecemos diferentes pessoas, com diferentes problemas, desde depressão até obesidade. Porém, talvez esse foi o único ponto negativo do livro.

Por mais que o autor se esforce para mostrar diferentes pessoas e isso seja algo positivo, em determinado momento esses inúmeros dias me cansaram e a vontade de pular alguns se fez presente, por mais que não a tenha realizado. O plot twist nos últimos dias da história até consegue amenizar um pouco esse fato, mas não totalmente. E sobre o final, apesar de sentir falta de algumas explicações, achei que foi coerente com a carga emocional que o livro carregou desde o início - foi algo real e até mesmo esperado. Não sei se David Levithan tem intenção de explicar o porquê disso acontecer com A, mas creio eu que não, principalmente pela continuação, Outro Dia, seguir a história de outro modo (de acordo com os comentários que li). Seu foco era realmente trabalhar como a mudança de corpo afetava A.

No geral, eu gostei do livro. Não me impactou fortemente como fez com várias pessoas - como Os 13 Porquês ou Por Lugares Incríveis, por exemplo -, mas ainda assim me passou várias lições; e a história foi crível e real. Se você gosta de livros nesse estilo, Todo Dia será uma ótima leitura!

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