domingo, 2 de abril de 2017

[Crítica] 13 Reasons Why - 1ª Temporada

Duração: 55 minutos
Nº de episódios: 13 episódios
Exibição: 2017
Emissora: Netflix
Status: Indefinido
Classificação: 4/5 estrelas

"Porque todo mundo é legal demais, até fazer alguém cometer suicídio." - Clay.

Crítica:

Os 13 Porquês foi um dos melhores livros que já li na vida e foram anos de espera até que a adaptação da história finalmente ganhasse vida. Antes seria um filme, mas acabou tornando-se uma série da Netflix, o que, a princípio, me deixou preocupado, afinal o livro é bem curto e estendê-lo por treze episódios poderia ser prejudicial. E depois de meses de espera após o anuncio oficial, enfim a produção estreou no catálogo do streaming, tendo todos seus episódios liberados em 31 de março.

A história, para quem não conhece, gira em torno de Clay Jensen que ao retornar da escola alguns dias após o suicídio de Hannah Baker, sua colega de escola - e secreta paixão -, encontra uma misteriosa caixa com fitas cassete dentro, gravadas pela garota onde explica treze motivos que a levaram a cometer tal ato. E ele é um dos motivos. Conforme vai ouvindo as gravações, Clay fica cada vez mais assustado porque tem plena consciência de que nunca fez nenhum mal à Hannah. Mas será mesmo que não fez?


Felizmente, minha principal preocupação e o plot principal do livro, com Hannah narrando os porquês, foi bem realizado. A cada episódio, o nojo por todos os envolvidos nas diversas agressões só aumenta, principalmente quando eles tentam inverter os papéis e se colocar como vítimas da história. É triste, mas a realidade de bullies quando suas intimidações vêm à tona. A série não poupa o espectador, principalmente nas cenas de estupro e automutilação, o que foi uma decisão mais do que acertada. Não é um assunto bobo, não é brincadeira; e toda essa "crueldade" introduzida pela produção serve para enfatizar isso. Quem está assistindo sente repulsa e vontade de invadir tais cenas para resgatar as personagens, assim como quem leu o livro.

Os atores estão muito bons em seus papéis, com destaque para Katherine Langford e Dylan Minnette. Enquanto Katherine expõe as mudanças na personalidade de Hannah e a dor que ela vem sentindo e guarda pra si; Dylan consegue introduzir todo o conflito que Clay vem sentindo - como quando acaba divulgando uma foto comprometedora de um colega, mesmo após ouvir Hannah contar que tal ação foi um dos porquês. Essa, inclusive, foi outra boa mudança feita no roteiro, pois no livro, Clay apenas ouve os acontecimentos quase sem retaliar nada. Já o da série explode em determinada cena, rendendo o melhor momento do personagem na adaptação. A química entre Dylan e Katherine também está bem desenvolvida e ao mesmo tempo que Clay e Hannah possuem intimidade, uma barreira existe entre eles, similar ao livro. E Kat Walsh como Olivia, mãe de Hannah, está excepcional. Sentimos a dor e o desespero daquela mãe para tentar entender o que aconteceu com a filha.


A fotografia também merece menção, priorizando cores quentes em cenas do passado e tons frios para o presente. Mas, ainda assim, a série peca em alguns pontos como, mesmo que indiretamente, querer justificar as ações de alguns personagens com Hannah por não possuírem uma boa relação com familiares, o que não justifica. Inúmeras pessoas passam por tais problemas ou semelhantes, mas nem por isso, saem praticando bullying com os colegas. A duração dos episódios (em torno de 55 minutos cada) é exagerada e torna até a série um pouco cansativa. Várias cenas poderiam ser cortadas sem afetar a dinâmica do episódio e deixá-lo com os habituais 42 minutos. E a demora de Clay para ouvir as fitas - e assim justificar os 13 episódios - também é exagerada.

Apesar de alguns deslizes, no geral, 13 Reasons Why cumpre o seu papel, e a verdadeira intenção e mensagem da adaptação é passada ao público, assim como o livro conseguiu. As pessoas precisam abrir os olhos para os acontecimentos ao redor e vê que algumas brincadeiras não são apenas brincadeiras para quem as recebe. A temporada termina deixando pontas abertas para uma continuação e torço para que ela venha a ser produzida, pois mostrará outra e mais chocante perspectiva de suicidas, por meio de Tyler. Sem dúvidas, ambas mídias (livro e série) deveriam ser trabalhadas em escolas. E, claro, se você precisa de ajudar, não tenha medo em admitir e pedir. Você não está sozinho!

PS: Indico ainda o documentário Tentando Entender os Porquês, que contém o elenco e a produção da série falando sobre bullying e também está disponível na Netflix.

2 comentários:

  1. Olá!
    Conclui a leitura do livro hoje e estou bem curiosa pra começar a série. Pelo o que eu vi, a série possui uma ambientação bacana, mas com alguns pequenos pontos extras, que não tem tanto "foco" no livro, assim como você disse a respeito da pequena enrolação que alguns episódios possuem.
    Parabéns pelo post.

    Abraços
    Leitora Cretina

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    Respostas
    1. Obrigado, Mônica. Sim, a série vai bem além do livro. Espero que você goste :D!

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